Gestão Pública

O cálculo do bom mandato

Post enviado no dia 5 de setembro

A máxima de que um bom time começa por um bom goleiro também se aplica ao setor público. Uma boa administração começa sempre com um bom político-gestor. Mas para que o mandato, executivo ou legislativo, seja eficiente e reconhecido pelo eleitorado, é preciso que tenha avaliação significativamente positiva ou, ao final, em nada terá valido o esforço.

Assim, todo mandatário deverá atuar ao longo dos anos em três pilares principais: gestão, política e comunicação. Destinando esforço equivalente a cada um, ou seja, 33% do tempo e trabalho dedicados a cada pilar do mandato. Percentual que precisa ser levado em conta desde a montagem da agenda diária até o cronograma mensal.

No pilar político estão os momentos destinados a encontros com eleitores, reuniões com lideranças, busca por recursos, articulação com outros poderes para solução de problemas, além da viabilização da aprovação de projetos que favoreçam o próximo pilar: a gestão.

A gestão, propriamente dita, se dá pelo ato de execução das ações do mandato. No poder executivo, prefeituras e governos, este pilar é mais claro através das obras e serviços oferecidos à população. O percentual de esforço investido neste, conta também com reuniões de preparação, planejamento, avaliação do desempenho, vistorias, resoluções e delegação de tarefas. No mandato legislativo, a gestão dos parlamentares inclui a elaboração e debate de projetos, plenário, comissões, além da fiscalização dos processos e cumprimento das leis. Todas as ações da gestão devem servir de insumo para a comunicação, o terceiro pilar.

A comunicação precisa ser praticada sobre tudo aquilo que o mandatário está fazendo, planejando ou tentando fazer. Pois cada vez que ocorre um ato político, há um fato comunicacional. Não significa, contudo, que seja mais importante que a gestão ou a política. Mas sim que gerir é também comunicar. Tem a ver com a legitimação, antes mesmo do que o feito. As palavras usadas para articular uma política pública podem ter tanta influência quanto a própria política. Uma vez que a comunicação não é uma opção de eficácia, mas uma necessidade para ela.

Em um ambiente altamente competitivo, os políticos não somente têm que fazer as coisas melhorarem, mas também convencer a população que estão fazendo as melhores coisas com os recursos disponíveis. Não apenas “ex-post”, como ação publicitária, mas sim “ex-ante”, como ato legitimador. O pilar da comunicação tem ainda maior importância no atual contexto de tempos sociais curtos e processos de dissidência e controvérsia cada vez mais ativos.

Na avaliação final do eleitor, e conseqüentemente no voto, o resultado é produto da soma da política, gestão e comunicação. Portanto, o cálculo para o bom mandato deve estar sempre na cabeça do político-gestor. Se a equação dos 33% de esforço para cada pilar não esteja sendo executada corretamente, algo está errado e, muito em breve a conta será cobrada, no campo e nas urnas.

Por Leandro Grôppo

O eleitor consumidor

Post enviado no dia 4 de abril

O eleitor brasileiro está amadurecendo a cada nova eleição. Desde a redemocratização e após a Constituição de 1988, já ocorreram no país 16 eleições, somados os níveis federal, estadual e municipal, além de um plebiscito, um referendo e várias eleições extemporâneas em diversas cidades. Assim, o brasileiro nascido na década de 70 já esteve quase vinte vezes à frente da urna, quem nasceu na década de 80, em média, já votou dez vezes, enquanto que os nascidos da década de 90 em diante desconhecem outro regime no país, se não o democrático.

O discurso que “brasileiro não sabe votar” não é verdadeiro. Juntamente com a evolução educacional, o eleitor consolidou o aprendizado da democracia e a cada dia conhece melhor seus direitos, entende que seu voto não pode ser controlado e decide sua opção por escolha livre. Mesmo que, conscientemente ou não, o faça com baixa informação. Esta condição, aliás, é um dos fatores principais que fizeram a última eleição ser uma das com maior número de abstenção e voto nulo.

O desinteresse recorde ocorre pois o eleitor evoluiu, mas os políticos não. O brasileiro não se sente representado porque parte da classe política está desconectada com a realidade do eleitorado. A ponto de transformar o Judiciário no poder mais bem avaliado. Paradoxalmente, quem não foi escolhido por voto direto passa a “representar o povo”. Faz algum tempo que é assim.

Esta, digamos, “má vontade com os políticos”, se dá pelas vantagens e privilégios que tendem a elevar os eleitos à posição de poder na qual equilibram-se a qualquer custo. Contudo, governar ou legislar hoje, é muito mais complicado que no passado. As regras são mais restritivas, a justiça é mais atuante e, com a internet, facilitou a fiscalização e a cobrança de tudo e todos. Gerando uma consciência de consumo social que modifica o cenário político.

O brasileiro conquistou respeito como consumidor, tem e utiliza com freqüência o seu Código de Defesa, porém, ainda busca seus efeitos como eleitor. Sua relação com o poder público é de eterna espera: pelo ônibus que não chega, pelo médico no posto de saúde, por vaga na creche etc. Lhe falta um Código de Defesa do Eleitor para recorrer quando não tem acesso a serviços públicos com a qualidade necessária. O eleitor consumidor quer resoluções para seus conflitos do dia-a-dia. Por isso a decisão eleitoral é sempre naquele que melhor consegue transparecer soluções para os problemas cotidianos nunca resolvidos.

Que o eleitor, tão desiludido com a política, resgate do consumidor que traz dentro de si a lição de que o barato de hoje pode sair mais caro adiante. E que os partidos e políticos compreendam que se não entenderem e atenderem as demandas, serão substituídos em breve. O perfil “gestor”, em moda ultimamente, é um primeiro passo desta transformação. Problema para quem não se dispõem a ler o eleitorado. Oportunidade para quem quer fazer diferente.

Por Leandro Grôppo

Comunicação política ou ruído?

Post enviado no dia 9 de fevereiro

Desde quando o homem começou a se organizar para dar os primeiros passos na democracia, política e comunicação estiveram juntas. É uma relação direta e necessária: a política não existe sem a comunicação. Segundo o dicionário, política é a ciência do governo dos povos. E como governar um povo sem se comunicar com ele? Impossível.

A comunicação política é essencial para uma democracia saudável. E não se trata apenas de campanhas eleitorais, mas principalmente da comunicação que órgãos e políticos fazem durante uma gestão ou mandato. Os governados precisam saber de forma clara e constante o quê seus governantes estão fazendo. A população precisa, e deve, saber para onde está indo o dinheiro de seus impostos, assim como quais leis estão sendo aprovadas, as ações que estão sendo planejadas e como podem impactar sua vida, com os benefícios ou prejuízos ao seu cotidiano. Tanto prefeitos, quanto vereadores, deputados, governadores, senadores e presidente precisam mostrar o que fazem e informar os cidadãos.

A chave dessa comunicação se divide em dois problemas principais. Primeiro, a dificuldade que agentes políticos têm de serem claros na mensagem que querem passar. Segundo, na rejeição que a população tem pela política e de tudo que vem dela. Ou seja, muitas vezes, temos políticos falando uma linguagem distante das pessoas, enquanto estas nem se interessam pelo que dizem os políticos. Um círculo vicioso e prejudicial.

E quando falamos em “comunicação”, “linguagem” e “mensagem” não referimos apenas a discursos, mas sim todas as formas que um agente ou órgão tem para se comunicar. Informativos, artigos, redes sociais, sites, entrevistas, entre outros. Frequentemente vemos políticos utilizando uma linguagem formal e abstrata com termos técnicos e burocráticos, tais como “ofício”, “protocolo”, “requerimento”, “decreto”. Palavras que soam como ruído, mais parecem palavrões, para o cidadão comum.

O brasileiro vê a política como problema, não como solução. Também por isso a comunicação política tem que ser simples, direta e compreensível para o “Seu Zé” e para a “Dona Maria”. Deve tocar no interesse do público, falar sobre os benefícios que as ações trarão para a sociedade. De nada adianta noticiar uma obra ou um projeto se o cidadão não se vê beneficiado. Por outro lado, uma obra que visa “agilizar o trânsito da cidade para os motoristas” será notada. Um projeto de lei que busca “facilitar a abertura de novas empresas, gerando emprego e renda” também é uma ação positiva e perceptível na realidade social.

É fundamental que a comunicação seja feita de forma correta e profissional, dizendo claramente o impacto das ações políticas no cotidiano, na cidade e na vida das pessoas. Logo, não há lugar para amadores. Caso contrário, torna-se apenas ruído, desperdiça oportunidades, perde o sentido e o efeito.

Por Emílio de Sá e Leandro Grôppo

A metade do mandato

Post enviado no dia 8 de março

Restando pouco mais de um ano para o início do próximo período eleitoral, inicia-se a época de balanços, questionamentos e indagações das gestões e mandatos municipais, tanto pela imprensa quanto pelos cidadãos. E é apenas nessa hora, quando a visão das urnas se aproxima, que muitos políticos pensam na sua imagem. Erro comum.

Um mandato bem planejado, em termos de comunicação, aproveita os quatro anos para informar e passar sua mensagem. Não apenas nos dois últimos, quando se busca recuperar o tempo perdido, ou corrigir uma imagem mal feita já formada na cabeça do eleitor. Seja para a tentativa da reeleição ou na eleição de um sucessor, o político deve falar, comunicar e se posicionar todos os quarenta e oito meses que tem no cargo. Algo fundamental, não apenas para o próprio, mas para toda a população.

A comunicação política é relevante para informar sobre as decisões que vão afetar a vida das pessoas. Eleitores bem informados são a base de toda democracia evoluída. Outros dois pontos cruciais sobre a importância da comunicação nos quatro anos são: eficácia e custos. A partir do momento que se elabora uma estratégia clara e eficiente para todo o mandato, se torna mais simples e barato ao gestor conquistar uma imagem sólida, positiva e ganhar a confiança do eleitor, comparado àquele que “comunicou” apenas às vésperas da campanha.

O gasto para um candidato ser conhecido em apenas alguns meses, durante o período eleitoral, supera em muito os investimentos de quem comunica desde o início da gestão e, assim, possui uma base de eleitores e uma imagem bem trabalhada. A correria para o “político de véspera eleitoral” passar sua mensagem em pouco tempo é imensa, assim como as chances de falhas e trabalhos mal feitos.

No imaginário do eleitor comum já existe a ideia que o político só “aparece de 4 em 4 anos para pedir voto”. Ou seja, além de ser ineficaz tentar comunicar apenas perto das eleições, também existe a resistência notória e crescente a quem tem por hábito esta prática. Em tempos de crises, numa sociedade altamente informatizada, a credibilidade dos homens públicos é colocada em cheque freqüentemente, um cenário que confirma a necessidade de uma boa estratégia para se sobressair na “batalha da comunicação”.

É necessário entender que a política não caminha sem a comunicação. Ambas possuem relação indissociável, necessária e relevante, tanto para o poder público quanto para a sociedade. Uma relação que é mais saudável e eficaz quando construída de forma transparente ao longo de todo o mandato. No final das contas, uma estratégia de comunicação bem feita desde o começo acaba por ser muito mais efetiva.

A metade do atual mandato de prefeitos e vereadores se passou, assim como muitas oportunidades de comunicação com os eleitores. Restando pouco mais de um ano para a próxima eleição, é fundamental perceber que é mais eficiente “falar” durante os quatro anos do que tentar “gritar” em apenas alguns meses.

Por Emílio Lins e Leandro Grôppo

Ano novo, velhas perspectivas eleitorais

Post enviado no dia 2 de fevereiro

O ano eleitoral de 2014, quando o “velho” discurso do “novo” foi mais uma vez vencedor, deu contornos a uma disputa política que parece interminável. Os escândalos em série, as delações dos envolvidos, além das costumeiras más notícias de início de governos, incorrem no sentimento de desapontamento por grande parte da população, refletindo na avaliação das administrações.

Os novos governantes, assim como os reeleitos, iniciam em 2015 um ciclo administrativo sob o peso de imensas dificuldades financeiras. O cenário de crise nos Estados e no Governo Federal deverá ser enfrentado com forte corte de gastos e baixo investimento. Lutarão para cumprir as obrigações administrativas, com reduzida perspectiva de resultados que possam chamar a atenção no curto prazo. Tomando decisões amargas, como antecipações e o aumento de tarifas e impostos, baseados no cálculo de segurar nos primeiros anos para colher resultados até 2018.

Alvos da política econômica do “novo” governo Dilma, o déficit fiscal, assim como o déficit externo e o binômio inflação-juros serão controlados com a velha “ortodoxia tucana”. Manter a inflação no topo da meta ajuda o governo a sustentar as receitas automaticamente corrigidas, auxiliando a redução do déficit fiscal. Enquanto isso, a taxa básica de juros deverá permanecer em elevação para continuar atraindo capitais de modo a conter o avanço do déficit externo, que por sua vez estimula o câmbio alto, afetando o consumo das famílias e o índice de reajuste dos aluguéis.

Como reflexo, as classes média e baixa começam a sentir o bolso mais vazio, em um processo cumulativo onde empresas e pessoas passam a reduzir gastos. Com preços crescendo mais do que os salários, aumenta a inadimplência e avança o desemprego, que recai na aceitação de novos postos com salários menores. A queda na atividade econômica tem conseqüências diretas no orçamento das cidades, arena das próximas batalhas eleitorais.

Pior para os Prefeitos, a parte mais fraca do elo administrativo nacional. Passada a onda de crescimento econômico dos governos Lula, aqueles que assumiram em 2013, com poucos recursos e folhas de pagamento inchadas, têm escassas alternativas enquanto esperam uma reforma tributária que beneficie os municípios, mas que nunca saiu do papel.

Neste cenário de vacas magras, estratégia e planejamento são fundamentais. Gestores municipais que não tiverem feito o dever de casa até então, com ações, obras e boa comunicação, terão muitas dificuldades frente a conjuntura de mudança que deverá permanecer em 2016. Um panorama desfavorável para os que nos dois primeiros anos de administração não tenham colocado em prática, ao menos, parte do prometido em campanha. Por outro lado, favorecendo às oposições, caso consigam captar o desejo do eleitorado e estejam afinadas ao discurso ideal. O jogo começou, ou melhor, nunca parou.

Por Leandro Grôppo

Página 1 de 11
Tweets Recentes Tweets Recentes Categorias
  • Comunicação Política
  • Crise
  • Eleições
  • Estratégia
  • Gestão Pública
  • Legislação
  • Livros
  • Marketing Eleitoral
  • Marketing Político
  • Partidos
  • Pesquisa
  • Política
  •  
    • 2017 (6)
    • 2016 (5)
    • 2015 (5)
    • 2014 (5)
    • 2013 (10)
    • 2012 (4)
    • 2011 (16)
    • 2010 (5)

    "O marketing político é a essência da democracia."

    "A estratégia faz a diferença."

    "A estratégia faz a diferença."

    "O que não é comunicado, não é lembrado."

    "Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino."

    ABCOP - Visite o site

    Strattegy na rede

    • Ícone do Twitter
    • Ícone do Facebook
    • Ícone do Blog
    • Ícone do Youtube
    • Ícone do Email
    • Strattegy Comunicação & Marketing Político
    • Brasília-DF | Fortaleza-CE | Uberlândia-MG
    • Produzido por UmQuarto