Comunicação Política

O entretenimento toma o poder

Post enviado no dia 19 de janeiro

O sociólogo francês, Roger Schwartzenberg, em seu livro O Estado Espetáculo, publicado em 1977, identificou já naquela época, que os perfis políticos suplantavam os projetos e a imagem substituía a mensagem. A explicação é que a política, outrora de ideias, transformara-se nas pessoas e seus personagens.

Hoje, os discursos políticos se encaixam perfeitamente na indústria do entretenimento. Seja nas propagandas eleitorais ou nas informações que os governos dirigem aos cidadãos, a comunicação política segue as regras, formatos e ritmos estabelecidos pelo entretenimento para alcançar a atenção do público.

No atual contexto de descrédito da classe política e contínua redução das formas legais de campanha, pessoas frequentes e familiarizadas com os meios de comunicação, cada vez mais, saem na frente. Isso ocorre especialmente porque com a diminuição do período eleitoral, personalidades já conhecidas ultrapassam a primeira barreira, do desconhecimento, antes mesmo do início da campanha. Segundo que, por conta da legislação restritiva, a capacidade de utilizar melhor os meios de comunicação disponíveis, permite que o enredo desejado seja mais facilmente transmitido e interpretado.

Basta lembrar os recentes êxitos de Donald Trump, Silvio Berlusconi, Arnold Schwarzenegger, Marcelo Crivella, João Dória, dentre tantos outros treinados em mídia, cinema ou televisão, para entender que os ideólogos perderam lugar para o entretenimento e a consequente importância de saber comunicar.

Quando ainda era candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Ronald Reagan foi perguntado em entrevista sobre as críticas de que o fato de ser ator de cinema o desqualificava para o alto cargo. A resposta, estudada e ensaiada, ocupa seu lugar na história: “O que não entendo é como alguém que não seja ator possa candidatar-se a presidente”.

A anunciada pré-disposição da apresentadora Oprah  Winfrey em estar na corrida presidencial norte-americana de 2020 e o inevitável lançamento de Luciano Huck como candidato a presidente do Brasil, confirmam a observação e elevam o entretenimento político a outro patamar. Tanto Huck quanto Oprah fizeram fama e fortuna contando histórias tristes de pessoas humildes como ponte para a assistência e audiência. Um “vale a pena ver de novo” da estratégia de radialistas que se tornaram vereadores, prefeitos, deputados e até governadores.

A ascensão de alternativas pretensamente apartadas da política se torna narrativa predominante quando a atividade é percebida mais como problema do que solução. Num ciclo quase contínuo de eleição e desapontamento, o entretenimento toma o poder. Onde o eleitor, como espectador, decide quem serão os protagonistas e sofre diretamente as consequências de cada parte da história.

Estaria na legalização do “merchandising político”, a solução para o financiamento das campanhas eleitorais? Cenas do próximo capítulo.

Por Leandro Grôppo

Vale a lembrança dos comerciais da Vulcabras, produzidos pela agência W/Brasil na década de 90, que tiveram como garotos-propaganda Paulo Maluf e Leonel Brizola.

O principal erro dos políticos após eleitos

Post enviado no dia 4 de maio

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A atual rejeição à classe política brasileira é uma das maiores em nossa história democrática. Prova disso foram as últimas eleições municipais com recordes de votos nulos, brancos e abstenções em todo país. A crescente descrença do povo com seus representantes, a crise econômica e política e a série de denúncias diárias estão corroendo ainda mais a já desgastada imagem do “político tradicional”. Aceitar e entender esse contexto é extremamente importante para quem foi eleito recentemente.

Um dos principais motivos que levam o brasileiro a repudiar a política é a forma como ele se sente tratado pelos seus representantes. Lembrado na época da eleição e esquecido o restante dos anos. Quem nunca ouviu algo como: “Esses políticos só aparecem para pedir voto, depois somem”? O cidadão se sente “usado” e esquecido. E é aí que está o erro. Ao ganhar a eleição, depois de muito esforço e mobilização, muitos se acomodam com o cargo conquistado, se perdem na burocracia interna da gestão, adormecem o contato com suas bases, esquecem compromissos e negligenciam sua comunicação.

Depois de fazer uma intensa campanha pelas ruas, internet, televisão, rádio, mobilizando militantes e simpatizantes, o político vencedor não pode simplesmente virar as costas para todas essas pessoas que conseguiu unir ao longo da campanha. Mas é o que ocorre em muitos casos. O que não prejudica apenas a imagem dos políticos, também enfraquece a democracia com o afastamento do representante com o eleitor e com a conseqüente desconfiança da população em relação à política. Segundo pesquisa de 2016, do Instituto Latinobarómetro, apenas 32% dos brasileiros acreditam na democracia como melhor método de governo, um dos piores índices da América Latina.

É muito comum achar que, depois da eleição vencida, é tempo de “afrouxar os cintos”. A verdade é que no primeiro dia de posse se inicia uma nova campanha. E mesmo que o eleito não tenha pretensão de se reeleger, será preciso legitimar suas ações. Agora, com o mandato em mãos, é hora de manter o contato com os eleitores, ampliar sua base e comunicar seus projetos e trabalhos. Com isso, além de não frustrar os cidadãos com o tradicional distanciamento pós-vitória, o político conserva e amplia o prestígio conquistado nas urnas.

O mandato é a maior arma de um político, portanto, é necessário compreender que estreitar os laços com a sociedade é uma tarefa não apenas importante, mas necessária, devendo ser cumprida durante todos os dias, desde o primeiro até o último. Comunicação política é coisa séria, deve ser feita com planejamento e estratégia, não pode ser pensada apenas em momentos eleitorais. Fortalecer a proximidade, a transparência e a comunicação é meio fundamental para reduzir a rejeição à política e, principalmente, o melhor método para fortalecer a democracia.

Por Emílio de Sá e Leandro Grôppo

Comunicação política ou ruído?

Post enviado no dia 9 de fevereiro

Desde quando o homem começou a se organizar para dar os primeiros passos na democracia, política e comunicação estiveram juntas. É uma relação direta e necessária: a política não existe sem a comunicação. Segundo o dicionário, política é a ciência do governo dos povos. E como governar um povo sem se comunicar com ele? Impossível.

A comunicação política é essencial para uma democracia saudável. E não se trata apenas de campanhas eleitorais, mas principalmente da comunicação que órgãos e políticos fazem durante uma gestão ou mandato. Os governados precisam saber de forma clara e constante o quê seus governantes estão fazendo. A população precisa, e deve, saber para onde está indo o dinheiro de seus impostos, assim como quais leis estão sendo aprovadas, as ações que estão sendo planejadas e como podem impactar sua vida, com os benefícios ou prejuízos ao seu cotidiano. Tanto prefeitos, quanto vereadores, deputados, governadores, senadores e presidente precisam mostrar o que fazem e informar os cidadãos.

A chave dessa comunicação se divide em dois problemas principais. Primeiro, a dificuldade que agentes políticos têm de serem claros na mensagem que querem passar. Segundo, na rejeição que a população tem pela política e de tudo que vem dela. Ou seja, muitas vezes, temos políticos falando uma linguagem distante das pessoas, enquanto estas nem se interessam pelo que dizem os políticos. Um círculo vicioso e prejudicial.

E quando falamos em “comunicação”, “linguagem” e “mensagem” não referimos apenas a discursos, mas sim todas as formas que um agente ou órgão tem para se comunicar. Informativos, artigos, redes sociais, sites, entrevistas, entre outros. Frequentemente vemos políticos utilizando uma linguagem formal e abstrata com termos técnicos e burocráticos, tais como “ofício”, “protocolo”, “requerimento”, “decreto”. Palavras que soam como ruído, mais parecem palavrões, para o cidadão comum.

O brasileiro vê a política como problema, não como solução. Também por isso a comunicação política tem que ser simples, direta e compreensível para o “Seu Zé” e para a “Dona Maria”. Deve tocar no interesse do público, falar sobre os benefícios que as ações trarão para a sociedade. De nada adianta noticiar uma obra ou um projeto se o cidadão não se vê beneficiado. Por outro lado, uma obra que visa “agilizar o trânsito da cidade para os motoristas” será notada. Um projeto de lei que busca “facilitar a abertura de novas empresas, gerando emprego e renda” também é uma ação positiva e perceptível na realidade social.

É fundamental que a comunicação seja feita de forma correta e profissional, dizendo claramente o impacto das ações políticas no cotidiano, na cidade e na vida das pessoas. Logo, não há lugar para amadores. Caso contrário, torna-se apenas ruído, desperdiça oportunidades, perde o sentido e o efeito.

Por Emílio de Sá e Leandro Grôppo

A metade do mandato

Post enviado no dia 8 de março

Restando pouco mais de um ano para o início do próximo período eleitoral, inicia-se a época de balanços, questionamentos e indagações das gestões e mandatos municipais, tanto pela imprensa quanto pelos cidadãos. E é apenas nessa hora, quando a visão das urnas se aproxima, que muitos políticos pensam na sua imagem. Erro comum.

Um mandato bem planejado, em termos de comunicação, aproveita os quatro anos para informar e passar sua mensagem. Não apenas nos dois últimos, quando se busca recuperar o tempo perdido, ou corrigir uma imagem mal feita já formada na cabeça do eleitor. Seja para a tentativa da reeleição ou na eleição de um sucessor, o político deve falar, comunicar e se posicionar todos os quarenta e oito meses que tem no cargo. Algo fundamental, não apenas para o próprio, mas para toda a população.

A comunicação política é relevante para informar sobre as decisões que vão afetar a vida das pessoas. Eleitores bem informados são a base de toda democracia evoluída. Outros dois pontos cruciais sobre a importância da comunicação nos quatro anos são: eficácia e custos. A partir do momento que se elabora uma estratégia clara e eficiente para todo o mandato, se torna mais simples e barato ao gestor conquistar uma imagem sólida, positiva e ganhar a confiança do eleitor, comparado àquele que “comunicou” apenas às vésperas da campanha.

O gasto para um candidato ser conhecido em apenas alguns meses, durante o período eleitoral, supera em muito os investimentos de quem comunica desde o início da gestão e, assim, possui uma base de eleitores e uma imagem bem trabalhada. A correria para o “político de véspera eleitoral” passar sua mensagem em pouco tempo é imensa, assim como as chances de falhas e trabalhos mal feitos.

No imaginário do eleitor comum já existe a ideia que o político só “aparece de 4 em 4 anos para pedir voto”. Ou seja, além de ser ineficaz tentar comunicar apenas perto das eleições, também existe a resistência notória e crescente a quem tem por hábito esta prática. Em tempos de crises, numa sociedade altamente informatizada, a credibilidade dos homens públicos é colocada em cheque freqüentemente, um cenário que confirma a necessidade de uma boa estratégia para se sobressair na “batalha da comunicação”.

É necessário entender que a política não caminha sem a comunicação. Ambas possuem relação indissociável, necessária e relevante, tanto para o poder público quanto para a sociedade. Uma relação que é mais saudável e eficaz quando construída de forma transparente ao longo de todo o mandato. No final das contas, uma estratégia de comunicação bem feita desde o começo acaba por ser muito mais efetiva.

A metade do atual mandato de prefeitos e vereadores se passou, assim como muitas oportunidades de comunicação com os eleitores. Restando pouco mais de um ano para a próxima eleição, é fundamental perceber que é mais eficiente “falar” durante os quatro anos do que tentar “gritar” em apenas alguns meses.

Por Emílio Lins e Leandro Grôppo

Sobra política, falta emoção

Post enviado no dia 22 de março

As últimas pesquisas sobre a disputa presidencial trouxeram números que seriam motivo de comemoração por qualquer candidatura oposicionista. Como se sabe, um candidato de oposição só leva vantagem se o desejo do eleitorado for de mudança. Quatro institutos divulgaram números que refletem, em grande parte, esse desejo quanto a próxima gestão do governo federal. Variando entre quarenta e sessenta por cento, a taxa atual dos que querem “mudança”, seja ela total ou parcial, demonstra o amplo espaço que um candidato de oposição teria para desenvolver seu discurso.

Ao contrário de 2010, quando a maioria optou por quem mantivesse as conquistas sociais do governo Lula, em 2014 o sentimento é outro. Contudo, as pesquisas mostram que esses eleitores não sabem a quem recorrer para mudar. Os levantamentos indicam que a presidente Dilma Roussef teria, hoje, votação suficiente para vencer com folga seus adversários. A aparente contradição evidencia a dificuldade dos candidatos de oposição em sensibilizar a fatia estratégica do eleitorado que anseia por alterações na condução dos rumos do país.

O eleitor não é bobo, ele simplesmente não enxerga quem assuma sua demanda. Tanto Aécio Neves, como Eduardo Campos e Marina Silva, têm falhado na apresentação como alternativas convincentes para o eleitorado. Aliado ao baixo grau de conhecimento público, especialmente dos dois primeiros, os candidatos opositores não despertam emoção refletida em projetos de mudança. A distância entre o que comunicam e o que interessa ao cidadão comum é de tal ponto, como se carregassem em suas bandeiras a inscrição “nada a declarar”, e, abaixo em letras minúsculas: “que você consiga entender”. Um posicionamento que, de tão frágil, não é traduzido como alternativa de mudança.

Por outro lado, apenas remar contra a corrente, sem apontar caminhos, não anima o eleitorado. Faltam propostas à crítica do cotidiano que empolgue o mais simples dos eleitores, que possam não apenas resultar em votos, mas levar o país a dar um salto na ambição de seu tamanho e necessidade. Um conjunto de idéias que seja facilmente entendido, apresentado sob a forma de mensagens desprovidas de interpretação acessória. Não basta conteúdo, é preciso ter contundência na forma para atingir o homem simples, que é fortemente influenciado por sentimentos e muito pouco por raciocínios.

Ao eleitor não interessa disputas internas do “rame-rame” político, mas sim o quanto os candidatos são capazes de enxergar as dificuldades do seu dia-a-dia, e quais as soluções que propõem para esses problemas. De nada adianta o desejo da mudança se não há uma oposição competente o suficiente para apontar um cenário de futuro melhor que a atual presidente tem sido capaz de indicar nos últimos tempos. Sua reeleição, em grande medida, depende da performance de seus adversários. Até aqui, a vantagem é por eliminação da concorrência.

 Por Leandro Grôppo

Político que não comunica…

Post enviado no dia 12 de maio

Eleição é o período legalmente definido em que é permitida a comunicação com finalidade de captação de apoios. Em tempos eleitorais os candidatos a todos os cargos, de presidente de sindicato local a representante no legislativo federal, por meio da propaganda e da comunicação, centram esforços e recursos na conquista de votos suficientes que o elejam ao cargo em disputa. Fazendo uso diário e maciço dos meios para ampliarem a difusão de sua mensagem, visando persuadir o eleitor de que ele, e não seu(s) opositor(es), tem o melhor projeto e as melhores propostas conforme o futuro almejado.

Passada a eleição, contudo, a maioria se “esquece” de comunicar. Sendo este motivo uma das razões da atual descrença da classe política perante a sociedade. Normalmente rodeado de pessoas que acabam por trazer uma verdade distorcida através da unanimidade característica do ambiente de gabinetes, o eleito passa a vivenciar um dia-a-dia distante da sociedade. Afastado e incomunicável, acaba por perceber o erro cometido, na maioria das vezes, quando não há mais a ser feito, após o resultado da próxima eleição.

Comunicação é o ar que o político respira e, por isso, mais que uma obrigação baseada no que rege a Constituição, a manutenção constante dos laços através da informação das demandas da população e do que o representante eleito está fazendo, ou do que está tentando fazer, se torna um pré-requisito de sua própria sobrevivência política.

É durante o mandato, maior arma que um político pode ter, que a comunicação deve ser exercida em sua plenitude. Por mais que o político faça, se não comunicar, ele não fez. Por outro lado, mandatos que abusam de propaganda sem realmente terem o que mostrar, se equivocam ao tentar vender algo que a realidade mostra não ser condizente. A “não-comunicação” e a “comunicação do vazio” são os piores erros que um mandatário pode cometer.

Comunicação política é participação, devendo ser um diálogo aberto em que se priorizam os interesses das pessoas. Estabelecendo um vínculo de mensagens para a identificação das ações que atendam os anseios sociais. Comunicação sem participação não é conversa, é monólogo.

Dessa forma, a comunicação é aliado insubstituível, em que mais do que quantidade o que vale é a qualidade. Onde muito além de “martelar” uma idéia, o que conta é a relevância e os meios utilizados para atingir da maneira eficiente o seu público alvo. A boa comunicação política facilita o diálogo entre mandatários e cidadãos, gerando conhecimento mútuo de suas ações, problemas e desejos. Compartilhando expectativas por meio do intercâmbio de informações, consolidando e legitimando a democracia.

Um mandato que não realiza e não comunica, está fadado ao fracasso. Uma vez que da mesma forma que o eleito conquistou sua vaga “nos braços do povo”, também por meio deles pode deixá-la de maneira a nunca mais alcançá-los novamente. Afinal, quem não comunica…

 Por Leandro Grôppo

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