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O cabo eleitoral de 2018

Post enviado no dia 22 de outubro, 2017

Muitas pessoas estranharam os resultados, até certo ponto contraditórios, da última pesquisa Datafolha divulgada no início deste mês. Mesmo com 54% dos eleitores acreditando que Lula deva ser preso pela operação Lava Jato, nas simulações de voto do primeiro turno o ex-presidente segue liderando. E ainda que tenha a maior rejeição entre os nomes pesquisados, Lula também venceria no segundo turno, de Sérgio Moro a João Dória, qualquer um dos possíveis adversários.

O conjunto dos dados, entretanto, leva a outro paradoxo. Como Lula consegue manter o capital eleitoral após seguidas denúncias contra seu governo, seus indicados e sua ações pessoais? E mesmo com 87% dos entrevistados da pesquisa dizendo que é “muito importante” que o candidato a presidente “nunca tenha se envolvido com corrupção”, como a intenção de voto em Lula resiste e alcança até 48% nos cenários? A resposta não está no grau de tolerância dos brasileiros com a corrupção na política.

Em um universo eleitoral onde 47% têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos, taxa que cresce para 66% quando se inclui até três salários, a demanda por políticas de aumento do poder de compra têm grande apelo. Entre o eleitorado de menor renda e baixa escolaridade, maior quantitativo das intenções de voto em Lula, o pragmatismo da situação econômica fala ainda mais alto. Um fenômeno que não é exclusividade do atual momento.

Fernando Henrique se elegeu e reelegeu por dar continuidade ao recente processo de redução inflacionária e estabilidade da moeda. Já em 2002, com a grave crise econômica, venceu quem melhor encampava a imagem de mudança e a possibilidade de geração de empregos. A reeleição de Lula em 2006, mesmo em meio ao ‘mensalão’, foi marcada pelo crescimento do poder de compra, fato que permaneceu até 2010, quando a indicada do presidente foi eleita. Dilma se reelegeu em 2014 no início da derrocada econômica e da Lava Jato, que atingiram fortemente a gestão petista.

O caminho do voto presidencial começa pelo bolso; se cheio, passa para a barriga; quando satisfeita, alimenta o coração; se feliz, envia gratidão à cabeça e decide o voto. Ou seja, é a economia, traduzida pelo consumo das famílias, a demanda mais importante, correspondente a 65% do PIB nacional. O consumo está em queda desde 2014. Como reflexo, o presidente Michel Temer tem impopularidade superior à de Dilma antes de sofrer o impeachment. De lá para cá o ambiente piorou no que mais importa para a maioria do eleitorado: sua situação financeira, a expectativa de manter-se empregado ou arrumar emprego, o futuro da renda pessoal, endividamento e a percepção sobre a inflação. Está tudo mais baixo do que estava antes.

Por esse motivo a gestão Temer é considerada ruim ou péssima por 73% dos brasileiros. A saúde voltou a ser o principal problema do país, deixando a corrupção em segundo, empatada com o desemprego. Se o pessimismo aumenta, o candidato mais identificado como a oposição cresce como conseqüência. Por isso, hoje, o maior cabo eleitoral de 2018, às avessas, é quem está sentado na cadeira de presidente do país. E a conclusão também vale no sentido inverso: serão afetados negativamente aqueles que estão ao seu lado.

Por Leandro Grôppo

O cálculo do bom mandato

Post enviado no dia 5 de setembro, 2017

A máxima de que um bom time começa por um bom goleiro também se aplica ao setor público. Uma boa administração começa sempre com um bom político-gestor. Mas para que o mandato, executivo ou legislativo, seja eficiente e reconhecido pelo eleitorado, é preciso que tenha avaliação significativamente positiva ou, ao final, em nada terá valido o esforço.

Assim, todo mandatário deverá atuar ao longo dos anos em três pilares principais: gestão, política e comunicação. Destinando esforço equivalente a cada um, ou seja, 33% do tempo e trabalho dedicados a cada pilar do mandato. Percentual que precisa ser levado em conta desde a montagem da agenda diária até o cronograma mensal.

No pilar político estão os momentos destinados a encontros com eleitores, reuniões com lideranças, busca por recursos, articulação com outros poderes para solução de problemas, além da viabilização da aprovação de projetos que favoreçam o próximo pilar: a gestão.

A gestão, propriamente dita, se dá pelo ato de execução das ações do mandato. No poder executivo, prefeituras e governos, este pilar é mais claro através das obras e serviços oferecidos à população. O percentual de esforço investido neste, conta também com reuniões de preparação, planejamento, avaliação do desempenho, vistorias, resoluções e delegação de tarefas. No mandato legislativo, a gestão dos parlamentares inclui a elaboração e debate de projetos, plenário, comissões, além da fiscalização dos processos e cumprimento das leis. Todas as ações da gestão devem servir de insumo para a comunicação, o terceiro pilar.

A comunicação precisa ser praticada sobre tudo aquilo que o mandatário está fazendo, planejando ou tentando fazer. Pois cada vez que ocorre um ato político, há um fato comunicacional. Não significa, contudo, que seja mais importante que a gestão ou a política. Mas sim que gerir é também comunicar. Tem a ver com a legitimação, antes mesmo do que o feito. As palavras usadas para articular uma política pública podem ter tanta influência quanto a própria política. Uma vez que a comunicação não é uma opção de eficácia, mas uma necessidade para ela.

Em um ambiente altamente competitivo, os políticos não somente têm que fazer as coisas melhorarem, mas também convencer a população que estão fazendo as melhores coisas com os recursos disponíveis. Não apenas “ex-post”, como ação publicitária, mas sim “ex-ante”, como ato legitimador. O pilar da comunicação tem ainda maior importância no atual contexto de tempos sociais curtos e processos de dissidência e controvérsia cada vez mais ativos.

Na avaliação final do eleitor, e conseqüentemente no voto, o resultado é produto da soma da política, gestão e comunicação. Portanto, o cálculo para o bom mandato deve estar sempre na cabeça do político-gestor. Se a equação dos 33% de esforço para cada pilar não esteja sendo executada corretamente, algo está errado e, muito em breve a conta será cobrada, no campo e nas urnas.

Por Leandro Grôppo

Pesquisas e o momento eleitoral

Post enviado no dia 19 de julho, 2017

Com a aproximação das eleições as pesquisas de opinião começam a ser noticiadas cada vez mais. Por enquanto, os números da intenção de votos para a presidência são os principais a serem divulgados. Mas, a mais de um ano da eleição e em meio a tanta imprevisibilidade do cenário político, o que significam essas pesquisas?

Normalmente, o candidato que está à frente tende a valorizar excessivamente sua posição e o que está atrás, menospreza os índices. Enquanto isso, para a população em geral, os números podem soar como previsões do resultado das urnas. Porém, não é bem assim. Existem outros fatores importantes a serem levados em conta ao analisar pesquisas na atual conjuntura.

O primeiro deles é o momento político, pois é o que a pesquisa mostra: as intenções naquele instante. E isso serve para relativizar os números que são divulgados, pois a história brasileira demonstra que uma eleição, desde a pré-campanha até seu resultado, pode ser uma montanha russa com altos e baixos, além de muitas surpresas. Quem poderia supor, por exemplo, que o ex-governador Eduardo Campos iria falecer em plena disputa eleitoral em 2014? Um fato que mudou o cenário daquele momento. Ou seja, o que deve ser levado em conta neste tipo de pesquisa não são os dados absolutos, mas a tendência da opinião pública.

Outro aspecto fundamental é o grau de conhecimento dos candidatos. No levantamento do Datafolha, divulgado em junho, o ex-presidente Lula aparece liderando as intenções de voto no primeiro turno. Mas um dado importante da pesquisa, que justifica em parte a liderança, é o nível de conhecimento do ex-presidente perante a população: 99%. Ou seja, quase todos os brasileiros o conhecem, sendo o maior índice entre os possíveis candidatos. E ser conhecido é o primeiro passo, que segue com a identificação, a comparação, a lembrança, até chegar ao voto. Isso quer dizer que o eleitor não vota em quem não conhece, e também que candidatos menos conhecidos tendem, logicamente, a ter menor intenção de voto. Fato ainda mais relevante depois da redução do período de campanha eleitoral.

Em outra pesquisa recente do Datafolha, menos noticiada mas talvez mais importante, foi demonstrado o posicionamento dos brasileiros em relação às bandeiras ideológicas. Os números mostram a posição do eleitorado sobre diferentes temas. Uma análise ainda mais útil para um candidato se posicionar quanto às suas propostas, bem como para entender o limite de determinadas candidaturas. Por exemplo: um político mais à direita deve saber que seu discurso terá empatia de cerca de 40% do eleitorado, contudo, 77% acreditam que “boa parte da pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida”, posição identificada com a esquerda, em detrimento dos que acreditam que “a pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar” (21%), posição mais identificada com a direita. Dessa forma, interpretando os nichos da opinião pública, é compreensível que discursos extremados encontrem tetos e limites, além de ser possível planejar uma campanha de maneira eficiente.

As pesquisas são peças-chaves para o marketing político. Porém, têm que ser bem interpretadas. A leitura deve ser mais profunda que as manchetes dos jornais. A esta altura, não projetam resultados, somente apontam tendências. Mais do que números, o fundamental é entender os dados qualitativamente. Qual imagem a população tem do candidato? Ele tem as qualidades que o eleitor almeja? Se sim, como isso pode ser maximizado? Se não, o que pode ser trabalhado? Por isso, é importante perceber que intenção de voto é apenas um dos dados, tanto para compreender o momento quanto para traçar a estratégia que oriente as ações a serem tomadas para se chegar à vitória.

Por Emílio de Sá e Leandro Grôppo

O principal erro dos políticos após eleitos

Post enviado no dia 4 de maio, 2017

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A atual rejeição à classe política brasileira é uma das maiores em nossa história democrática. Prova disso foram as últimas eleições municipais com recordes de votos nulos, brancos e abstenções em todo país. A crescente descrença do povo com seus representantes, a crise econômica e política e a série de denúncias diárias estão corroendo ainda mais a já desgastada imagem do “político tradicional”. Aceitar e entender esse contexto é extremamente importante para quem foi eleito recentemente.

Um dos principais motivos que levam o brasileiro a repudiar a política é a forma como ele se sente tratado pelos seus representantes. Lembrado na época da eleição e esquecido o restante dos anos. Quem nunca ouviu algo como: “Esses políticos só aparecem para pedir voto, depois somem”? O cidadão se sente “usado” e esquecido. E é aí que está o erro. Ao ganhar a eleição, depois de muito esforço e mobilização, muitos se acomodam com o cargo conquistado, se perdem na burocracia interna da gestão, adormecem o contato com suas bases, esquecem compromissos e negligenciam sua comunicação.

Depois de fazer uma intensa campanha pelas ruas, internet, televisão, rádio, mobilizando militantes e simpatizantes, o político vencedor não pode simplesmente virar as costas para todas essas pessoas que conseguiu unir ao longo da campanha. Mas é o que ocorre em muitos casos. O que não prejudica apenas a imagem dos políticos, também enfraquece a democracia com o afastamento do representante com o eleitor e com a conseqüente desconfiança da população em relação à política. Segundo pesquisa de 2016, do Instituto Latinobarómetro, apenas 32% dos brasileiros acreditam na democracia como melhor método de governo, um dos piores índices da América Latina.

É muito comum achar que, depois da eleição vencida, é tempo de “afrouxar os cintos”. A verdade é que no primeiro dia de posse se inicia uma nova campanha. E mesmo que o eleito não tenha pretensão de se reeleger, será preciso legitimar suas ações. Agora, com o mandato em mãos, é hora de manter o contato com os eleitores, ampliar sua base e comunicar seus projetos e trabalhos. Com isso, além de não frustrar os cidadãos com o tradicional distanciamento pós-vitória, o político conserva e amplia o prestígio conquistado nas urnas.

O mandato é a maior arma de um político, portanto, é necessário compreender que estreitar os laços com a sociedade é uma tarefa não apenas importante, mas necessária, devendo ser cumprida durante todos os dias, desde o primeiro até o último. Comunicação política é coisa séria, deve ser feita com planejamento e estratégia, não pode ser pensada apenas em momentos eleitorais. Fortalecer a proximidade, a transparência e a comunicação é meio fundamental para reduzir a rejeição à política e, principalmente, o melhor método para fortalecer a democracia.

Por Emílio de Sá e Leandro Grôppo

O eleitor consumidor

Post enviado no dia 4 de abril, 2017

O eleitor brasileiro está amadurecendo a cada nova eleição. Desde a redemocratização e após a Constituição de 1988, já ocorreram no país 16 eleições, somados os níveis federal, estadual e municipal, além de um plebiscito, um referendo e várias eleições extemporâneas em diversas cidades. Assim, o brasileiro nascido na década de 70 já esteve quase vinte vezes à frente da urna, quem nasceu na década de 80, em média, já votou dez vezes, enquanto que os nascidos da década de 90 em diante desconhecem outro regime no país, se não o democrático.

O discurso que “brasileiro não sabe votar” não é verdadeiro. Juntamente com a evolução educacional, o eleitor consolidou o aprendizado da democracia e a cada dia conhece melhor seus direitos, entende que seu voto não pode ser controlado e decide sua opção por escolha livre. Mesmo que, conscientemente ou não, o faça com baixa informação. Esta condição, aliás, é um dos fatores principais que fizeram a última eleição ser uma das com maior número de abstenção e voto nulo.

O desinteresse recorde ocorre pois o eleitor evoluiu, mas os políticos não. O brasileiro não se sente representado porque parte da classe política está desconectada com a realidade do eleitorado. A ponto de transformar o Judiciário no poder mais bem avaliado. Paradoxalmente, quem não foi escolhido por voto direto passa a “representar o povo”. Faz algum tempo que é assim.

Esta, digamos, “má vontade com os políticos”, se dá pelas vantagens e privilégios que tendem a elevar os eleitos à posição de poder na qual equilibram-se a qualquer custo. Contudo, governar ou legislar hoje, é muito mais complicado que no passado. As regras são mais restritivas, a justiça é mais atuante e, com a internet, facilitou a fiscalização e a cobrança de tudo e todos. Gerando uma consciência de consumo social que modifica o cenário político.

O brasileiro conquistou respeito como consumidor, tem e utiliza com freqüência o seu Código de Defesa, porém, ainda busca seus efeitos como eleitor. Sua relação com o poder público é de eterna espera: pelo ônibus que não chega, pelo médico no posto de saúde, por vaga na creche etc. Lhe falta um Código de Defesa do Eleitor para recorrer quando não tem acesso a serviços públicos com a qualidade necessária. O eleitor consumidor quer resoluções para seus conflitos do dia-a-dia. Por isso a decisão eleitoral é sempre naquele que melhor consegue transparecer soluções para os problemas cotidianos nunca resolvidos.

Que o eleitor, tão desiludido com a política, resgate do consumidor que traz dentro de si a lição de que o barato de hoje pode sair mais caro adiante. E que os partidos e políticos compreendam que se não entenderem e atenderem as demandas, serão substituídos em breve. O perfil “gestor”, em moda ultimamente, é um primeiro passo desta transformação. Problema para quem não se dispõem a ler o eleitorado. Oportunidade para quem quer fazer diferente.

Por Leandro Grôppo

Comunicação política ou ruído?

Post enviado no dia 9 de fevereiro, 2017

Desde quando o homem começou a se organizar para dar os primeiros passos na democracia, política e comunicação estiveram juntas. É uma relação direta e necessária: a política não existe sem a comunicação. Segundo o dicionário, política é a ciência do governo dos povos. E como governar um povo sem se comunicar com ele? Impossível.

A comunicação política é essencial para uma democracia saudável. E não se trata apenas de campanhas eleitorais, mas principalmente da comunicação que órgãos e políticos fazem durante uma gestão ou mandato. Os governados precisam saber de forma clara e constante o quê seus governantes estão fazendo. A população precisa, e deve, saber para onde está indo o dinheiro de seus impostos, assim como quais leis estão sendo aprovadas, as ações que estão sendo planejadas e como podem impactar sua vida, com os benefícios ou prejuízos ao seu cotidiano. Tanto prefeitos, quanto vereadores, deputados, governadores, senadores e presidente precisam mostrar o que fazem e informar os cidadãos.

A chave dessa comunicação se divide em dois problemas principais. Primeiro, a dificuldade que agentes políticos têm de serem claros na mensagem que querem passar. Segundo, na rejeição que a população tem pela política e de tudo que vem dela. Ou seja, muitas vezes, temos políticos falando uma linguagem distante das pessoas, enquanto estas nem se interessam pelo que dizem os políticos. Um círculo vicioso e prejudicial.

E quando falamos em “comunicação”, “linguagem” e “mensagem” não referimos apenas a discursos, mas sim todas as formas que um agente ou órgão tem para se comunicar. Informativos, artigos, redes sociais, sites, entrevistas, entre outros. Frequentemente vemos políticos utilizando uma linguagem formal e abstrata com termos técnicos e burocráticos, tais como “ofício”, “protocolo”, “requerimento”, “decreto”. Palavras que soam como ruído, mais parecem palavrões, para o cidadão comum.

O brasileiro vê a política como problema, não como solução. Também por isso a comunicação política tem que ser simples, direta e compreensível para o “Seu Zé” e para a “Dona Maria”. Deve tocar no interesse do público, falar sobre os benefícios que as ações trarão para a sociedade. De nada adianta noticiar uma obra ou um projeto se o cidadão não se vê beneficiado. Por outro lado, uma obra que visa “agilizar o trânsito da cidade para os motoristas” será notada. Um projeto de lei que busca “facilitar a abertura de novas empresas, gerando emprego e renda” também é uma ação positiva e perceptível na realidade social.

É fundamental que a comunicação seja feita de forma correta e profissional, dizendo claramente o impacto das ações políticas no cotidiano, na cidade e na vida das pessoas. Logo, não há lugar para amadores. Caso contrário, torna-se apenas ruído, desperdiça oportunidades, perde o sentido e o efeito.

Por Emílio de Sá e Leandro Grôppo

A chave da vitória de Donald Trump

Post enviado no dia 22 de novembro, 2016

Acompanhei de perto a reta final da eleição presidencial nos Estados Unidos. Uma disputa que, pelo que se via na mídia, parecia estar decida a favor de Hillary Clinton. Parecia. A compreensão da vitória de Donald Trump, contra tudo e – quase – todos, contrariando as pesquisas e comentaristas políticos, vale para eleições futuras.

O fundamental da estratégia de Trump foi o ponto central de campanhas vitoriosas: a emoção correta. Em países onde o voto não é obrigatório, como nos EUA, o eleitor precisa ter “motivo” para ir votar. Na maioria é difícil conseguir que pelo menos metade do eleitorado compareça. Os eleitores mais motivados são os de quem desperta mais emoção favorável.

A pauta da campanha de Trump não foi a política, mas os valores. Com uma mensagem clara, que através do slogan “Make America great again“, tocou o coração de uma parcela que o reconheceu como quem pretendia restaurar não só a economia, mas o sentido de ser americano.

Em 2008, Obama soube compreender o eleitorado e dar-lhe esperança com a simplicidade característica da boa comunicação política traduzida no slogan “sim, nós podemos”. Em 2016 não foi diferente. A narrativa se deu sobre problemas concretos e soluções fáceis de serem visualizadas, para o bem ou para o mal. A insegurança econômica, a ameaça terrorista, a percepção de perda de valores e a decepção com o sistema político, canalizando o medo com a delimitação a quem temer.

A personalidade excêntrica, amplamente atacada pela campanha de Hillary, foi minimizada pelo eleitor que a via como virtude. Mas isto não se deu por acaso. Trump identificou o eleitor médio americano, conectou-se a ele e ofereceu o tom combativo e enérgico que lhe são peculiares. Pessoas sem diploma universitário, residentes de pequenas cidades e áreas rurais, de renda média-baixa e que rejeitam o governo Obama. Para esses, os ataques à elite, aos imigrantes e aos países que lhe retiram o emprego, além do protecionismo comercial e o discurso nacionalista, soam como música aos ouvidos. Voltar à era Clinton para eles não significava mudança nem progresso.

Por outro lado, a campanha de Hillary não conseguiu reverter a percepção de fria e distante. Foi entediante vê-la falar por 4 minutos num showmício que teve a apresentação dos astros Beyonce e Jay-Z há menos de uma semana para o dia final da eleição. Outro erro foi ter dado mais ênfase ao adversário do que a suas convicções e projetos. Além disso, Hillary parecia pouco confiável para 70% dos norte-americanos devido aos escândalos que envolveram os Clinton, se tornando assim um estereótipo previsível e indesejado.

Enquanto isso a ofensiva de Trump contra a imprensa, que poderia destruir qualquer outro, contribuiu para consolidar a imagem de herói. Em vez de adaptar-se, Trump moldou a vida política ao seu estilo, com o cuidado de adequar sua linguagem para ser compreendido pelos norte-americanos. Apresentou-se como vítima de um complô, mexeu com o orgulho nacional e prometeu recuperar os prejuízos. Soube resgatar sentimentos adormecidos que lhe permitiram ocupar a representação dos setores da classe média abandonados pelos democratas.

A propaganda da campanha de Trump veiculada em diversos canais de televisão norte-americano (vídeo abaixo), é um resumo de todo o seu forte discurso. Ao contrário de Hillary, Trump se comprometeu emocionalmente com o eleitor, que defendeu silenciosamente sua decisão e lhe deu a vitória.

Por Leandro Grôppo

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